sexta-feira, 29 de maio de 2009

O que são os Fioretti de São Francisco de Assis?

Fioretti significa “florezinhas”. Elas foram escritas em italiano antigo do século XIV e eram estórias contadas, passando dos discípulos de São Francisco até o século XIV, quando foram colocadas por escrito.
Os Fioretti não pretendem contar fatos históricos acontecidos. Eles refletem o modo de pensar dos frades daquela época e revelam certas verdades sobre São Francisco e Santa Clara. Neles existem lendas misturadas com fatos verídicos. Ao lê-los devemos buscar o ensinamento espiritual que se pretende passar, ou seja, uma verdadeira formação franciscana.


Capítulo 1

Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado, e de sua Mãe, a Virgem Maria.
Este livro contém alguns Fioretti, milagres e exemplos devotes do glorioso pobrezinho de Cristo monsior S. Francisco e de alguns santos seus companheiros.
Em louvor de Jesus Cristo. Amém
Primeiramente devemos considerar que o glorioso monsior S. Francisco, em todos os atos de sua vida, foi conforme a Cristo bendito: porque como Cristo, no começo de sua pregação, escolheu doze apóstolos, que desprezassem todas as coisas do mundo e o seguissem na pobreza e nas outras virtudes, assim S. Francisco elegeu ao principio, para fundar a sua Ordem, doze companheiros possuidores da altíssima pobreza; e como um dos doze apóstolos de Cristo, reprovado por Deus, finalmente se enforcou, do mesmo modo, um dos doze companheiros de S. Francisco, por nome João da Capela, apostatou, enforcando-se também.
E isto servirá para os eleitos de grande exemplo e de matéria de humildade e temor, por considerar que ninguém poderá estar certo de perseverar até o fim na graça de Deus. E como aqueles apóstolos foram diante de todo o mundo maravilhosos de santidade e cheios do Espírito Santo, assim aqueles santíssimos companheiros de S. Francisco foram homens de tanta santidade, que, desde o tempo dos apóstolos até aos nossos dias, não houve assim maravilhosos e santos; porquanto um deles foi arrebatado até ao terceiro céu como S. Paulo; e este foi Frei Egídio; outro deles, isto é, Frei Filipe Longo, foi tocado nos lábios por um anjo com um carvão em brasa, como o profeta Isaías; outro ainda, chamado Frei Silvestre, falava com Deus como um amigo com outro, do mesmo modo que Moisés; um voava, por sutileza de intelecto, até à luz da divina sapiência, como a águia, isto é, João Evangelista, e este foi Frei Bernardo o humildíssimo, que profundissimamente interpretava a santa Escritura; um deles foi santificado por Deus e canonizado no céu, vivendo ainda no mundo, e este foi Frei Rufino, gentil-homem de Assis.
E assim todos foram privilegiados com singulares sinais de santidade, como se dirá daqui por diante.

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