sexta-feira, 21 de agosto de 2009


São Bernardo de Claraval

Em família privilegiada, de grande fortuna e poder, nasceu Bernardo, no final do século XI. Sua maior riqueza, porém, era uma arraigada fé católica. O pai, Tecelim, grande senhor, era bom e piedoso; e a mãe, Alícia, seria venerada como bem-aventurada pela Igreja na França. Quando nasceu Bernardo, o terceiro de sete filhos, além de o oferecer a Deus, como fazia com toda sua prole, ela consagrou-o ao serviço da Igreja.
A ciência dos santos, Bernardo a aprendeu com os pais; e a do mundo, com os padres da igreja de Châtillon-sur-Seine.
O menino era extremamente bem dotado. Além de boa aparência física, tinha Bernardo uma inteligência viva e penetrante, elegância de dicção, suavidade de caráter, retidão natural de alma, bondade de coração, uma conversa atraente e cheia de encanto. Ao par disso, uma modéstia e uma propensão ao recolhimento, que o faziam parecer tímido.

Radicalidade na prática da pureza

Com tantas qualidades naturais e uma posição social invejável, ao crescer poderia ter-se facilmente desviado para o mundanismo. Mas Bernardo provou que a alta condição social, se vivida com fé, pode até ajudar a prática da virtude. Seu temperamento, inclinado à meditação, abriu-se à ação da graça, que o levava a escolher sempre a virtude ao prazer, as coisas de Deus às do mundo.
Aos 19 anos era alto, bem proporcionado, com profundos olhos azuis iluminando um rosto varonil, emoldurado por uma loira cabeleira. Seu porte era ao mesmo tempo nobre e modesto.
Um dia, numa recepção social, a figura de uma jovem o atraiu e o perturbou. Imediatamente, para afastar aquela visão que se lhe tornou quase obsessiva, arrojou-se num tanque de água fria e ali permaneceu até que o tirassem. Fez então o propósito de consagrar-se totalmente a Deus.

Fundador de Claraval, atraía as almas para Deus

Santo Estevão Harding via maravilhado aquele jovem com maturidade e prudência de ancião. E apenas dois anos depois de sua entrada em Cister, envia-o como superior de um grupo de monges para fundar a abadia de Claraval. Bernardo tinha apenas 25 anos de idade.
A nova abadia ficava num lugar inculto e agreste, sendo por isso chamada de Vale do absinto. São Bernardo transformá-la-ia em Vale Claro, ou Claraval, espalhando sua fama por toda a França e, depois, pela Europa. Muitos eram os nobres que iam visitá-lo e acabavam ficando seus discípulos.
A pobreza da abadia nos seus inícios era espantosa: não tinham para comer senão ervas silvestres; mal se vestiam, sofrendo todas as intempéries. Essa era a riqueza desses verdadeiros heróis, que tudo tinham abandonado por Cristo.
Bernardo atingira um grau supereminente de amor de Deus e de união com a vontade divina, mas faltava-lhe ainda compreender bem a humana fraqueza de seus subordinados. Tinha escrúpulos de dirigi-los pela palavra, crendo que Deus lhes falaria no íntimo da alma muito melhor do que ele. Estava nessa tentação, quando um dia apareceu-lhe um Menino todo envolto numa luz divina. Com grande autoridade, este ordenou-lhe dissesse tudo quanto lhe viesse ao pensamento, porque seria o próprio Espírito Santo que falaria por sua boca. Ao mesmo tempo Bernardo recebeu uma graça especial de compreender as fraquezas dos outros e de se acomodar ao espírito de cada um, para ajudá-los a vencer suas misérias.
O modo como Bernardo atraía vocações para Claraval era milagroso. Por exemplo, todo um grupo de nobres, que por curiosidade quiseram um dia conhecê-lo. Atuava como se fosse um poderoso ímã para atrair almas a Deus.
A atração mais estrondosa foi a de Henrique de França, irmão do Rei Luís VII. Esse príncipe foi a Claraval tratar de um importante assunto com São Bernardo. Quando ia sair, pediu para ver todos os monges, a fim de se recomendar às suas orações. Bernardo disse-lhe que logo experimentaria a eficácia dessas orações. No mesmo dia Henrique sentiu-se tão tocado pela graça que, esquecendo-se de que era então o sucessor da coroa, quis ficar em Claraval. Mais tarde foi Bispo de Beauvais, e depois Arcebispo de Reims.
Com isso Claraval cresceu tanto, que habitualmente seu número era de 600 a 700 monges. Apesar disso, cada um mantinha isolamento interior e silêncio, como se estivesse só. Jamais um monge estava inativo, tendo sempre algum trabalho manual para fazer, se não estivesse em oração no coro ou em sua cela.
Com o tempo e o número crescente de vocações, Bernardo pôde fundar 160 casas de sua Ordem, não só na França mas também em outros países da Europa.

http://www.lepanto.com.br/dados/HagBClar.html

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