sábado, 6 de agosto de 2011

AMOR QUE NÃO DEU CERTO

Era para ter dado certo. As alegrias, os risos, o sexo atrevido, os êxtases, as viagens, tudo o que vocês sentiam um pelo outro, as luzes, a festa, os primeiros anos, tudo parecia dizer que seria para sempre. Era o que vocês diziam e até se gabavam disso junto aos amigos. Viviam dizendo que seu matrimônio era meio a meio. Os dois venciam e nenhum levava vantagem. Então, exatamente, o que foi que aconteceu para que vocês, em seis anos, acabassem onde acabaram, que nem se ver desejam mais? Não houve um exatamente. Mais precisamente, foram as exatidões e as precisões fictícias do seu relacionamento que deram fim ao que foi bonito, mas deixou de ser, à medida que vocês teimavam em  .....
empatar em tudo e mais tiravam do que davam um ao outro. Foi uma união utilitária que se media pelo toma lá, dá cá. Quando um começou a não poder dar mais o que dava, vieram as reclamações do tipo “Eu faço e você não faz”.
A verdade é que, desde o começo, não houve renúncia. Vocês transformaram seu casamento em barganha. Eu dou um, você dá um. Eu dou dois e você dá dois. Dirigiram sua união como se dirige uma firma. Só que nem lá as parcerias são de 50% + 50%. É sabedoria vencer de pouco e perder de pouco e cada qual aceitar o mais ou o menos do outro com o respeito de sempre.
No caso de vocês dois, não aceitavam o “mais” a favor do outro, por menor que fosse ele. Sempre que um tinha que renunciar mais, reclamava. Vocês não perceberam, mas o que estragou seu casamento foi o conceito de mais valia. Toda vez que um recebia menos, protestava. Toda vez que um achava que o outro estava lucrando mais da relação protestava. Foi tudo medido à canequinha.
O erro esteve ali. Quantificaram e metrificaram demais a sua relação. Se for verdade que ninguém pode perder sempre, nem vencer o tempo todo, também é verdade que, se alguém perder por algum período e mais vezes em seguida, demonstra que não quantificou sua relação. Em geral, um casamento dá certo quando os dois, ao invés de quantificar, qualificam o que fazem. Se for preciso, aceitam perder algumas vezes em seguida, pelo bem do outro. É melhor do que a falsa medida do “um para mim, outro para você”, “minha vez, sua vez”… Vocês quiseram a igualdade absoluta e os direitos 50% para cada lado. A vida não funciona assim. Uma laranjeira não dá 50% de laranjas de um lado e 50% do outro. O pé de couve não produz o mesmo número de folhas para cada lado. Nem tudo na vida é “esquerda e direita”. Às vezes, é preciso dar direitas e uma esquerda, ou três esquerdas e uma direita para se chegar ao destino.
Vocês mediram demais. Ninguém lhes ensinou que a justa medida não significa medidas iguais. Na mesa quem tem mais apetite precisa de um prato e meio e o outro talvez se satisfaça com dois terços do prato. Querer a mesma medida é injusto. Justo é que os dois se satisfaçam com o mais ou o menos que conseguirem juntos. Em alguma coisa, um é mais, noutra é menos. Seu casamento todo medido, acabou desmedido.
Se voltarem a se querer e a se buscar, tentem modificar a quantidade pela qualidade. Entendam que, às vezes, a mulher perde mais, às vezes, o homem. Mas não pode ser “segunda eu, terça, você, quarta eu, quinta você, sexta eu, sábado você” e os domingos se alternando em primeiro e terceiro, segundo e quarto. Dá certo num restaurante, mas não numa família.
Foram justos demais e por isso foram injustos. Quando descobrirem que não é “meio a meio” e sim “amor por amor”, acharão a medida certa. Recomecem o seu amor, se ainda existe alguma chama. Mas, dessa vez, por favor, deixem a traineira, a fita metro ou a canequinha numa gaveta. O amor não vive de centímetros e minutos e, sim, de aberturas inteligentes e sábias. Se insistirem em contar cada centavo, renúncia é que não será. Aceitem perder algumas moedas para ganhar a fortuna de uma relação generosa! Lamento ter que dizê-lo, mas foi isso que faltou. Havia 1 X 1 demais na sua relação. Queriam empatar em tudo e tanto empataram que o jogo perdeu a graça. Se ainda se derem outra chance, aprendam a perder e, quem sabe, aprenderão a se querer !

Por: Padre Zezinho
Fonte:http://www.padrezezinhoscj.com

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