quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulher, o que sentes? Feliz dia da Mulher!

No discipulado de Jesus, d’Ele aprendemos a pedagogia da pergunta e da escuta. Para onde vais? Onde moras? Como te chamas? Tu me amas? Onde está o teu marido? Do que estás aí a conversar? Essas perguntas foram todas feitas por Jesus, em contextos e situações diversas. Ele se achegava às pessoas, por elas se interessava, desejava ouvi-las, queria compreendê-las a partir de suas vidas, de suas experiências, de sua condição, se seus sentimentos, de sua subjetividade. Em plena segunda década do século 21, sob um novo horizonte de emergência da identidade e do protagonismo das mulheres, o caminho do    .......
diálogo, da pergunta, da escuta e do esforço pela compreensão é, talvez, o melhor itinerário para um projeto civilizatório que precisa (re)situar-se sobre novas bases de convivência humana, alicerçados em valores que assumem novas linguagens, capacitados a interpretar novos sinais de tempos pós-modernos. Que rosto cultural de mulher emerge de nossas realidades locais, tão multiculturais e em acelerada mundialização? Como pensam as novas gerações de mulheres, impactadas pela uniformidade do pensamento ditado pelas informações divulgadas globalmente? Como sentem e como amam as mulheres, abrangidas tanto quanto nós por infinitas relações virtuais, impensáveis até um passado recente? Que medos e que esforços de autossuperação enfrentam as mulheres diante das cotidianas ameaças à vida, às suas vidas, à vida de seus filhos, à vida no planeta? Se acreditamos na igual dignidade de homens e de mulheres, o sentir da mulher haverá de ressoar com a mesma intensidade que o sentir do homem no coração da civilização. A disfunção e o desequilíbrio na igual dignidade de todos é uma patologia civilizatória, que provoca a mais grave das doenças: a doença da alma. Mulher e homem, Deus os criou; e os fez a sua imagem, imagem de Deus na imagem de todas as mulheres e de todos os homens.
Além do olhar de indagação e de compreensão pelo futuro, penso que a homenagem que se faz às mulheres no presente também precisa ser um revisitar penitencial ao passado. No ano do jubileu de 2000 mil anos do nascimento de Jesus Cristo, o bem-aventurado João Paulo II pediu, em nome de todos os cristãos, de todos os tempos, perdão pelos erros do passado. No jubileu do Dia da Mulher, devíamos todos pedir perdão pelos dias, anos e séculos que foram negados às mulheres; pedir perdão pelas mulheres vítimas da violência; pedir perdão pelas mulheres queimadas nas fogueiras; pedir perdão pelas mulheres que tiveram o ônus de criarem sozinhas seus filhos; pedir perdão pelas mulheres transformadas em mercadoria; pedir perdão pelas mulheres traficadas para a prostituição nos países da Europa; pedir perdão pelas mulheres expulsas de casa por gravidez precoce; pedir perdão por mulheres excluídas da representação política, social e cultural; pedir mil vezes perdão, com coragem para reconhecer os erros e com firme determinação de não repeti-los hoje sob novas linguagens, novos ardis e novas sutilezas.
Gratidão e reconhecimento não fazem bem apenas a quem recebe; sobretudo, transformam a quem agradece. Com profundo reconhecimento, agradecemos a Deus por podermos contemplar o mistério da encarnação consumado no ventre de uma mulher. Agradecemos pela Igreja, dom e mistério, mãe e mestra, que nos educa na escola da fé. Agradecemos pela participação das mulheres na história da salvação: pelo sorriso de Sara, pelos cânticos de Míriam, Débora e Ana, pelos gestos de solidariedade de Ruth, pela coragem e astúcia das parteiras do Egito, pela reivindicação de direitos defendidos por Tamar, pela mãe dos Macabeus e sua confiança em Deus, pela profecia de Débora. Agradecemos pelas mulheres que acompanharam, seguiram e apoiaram Jesus do seu nascimento até sua morte e ressureição. Agradecemos pelas mulheres do cristianismo primevo, sob perseguição e martírio aos cristãos. Agradecemos pelas mulheres freiras, que engrandecem a vida religiosa e marcam a história com a caridade cristã. Agradecemos pelas mulheres catequistas, pelas mulheres teólogas, pelas mulheres da Pastoral da Criança e de todas as demais pastorais, pelas mulheres que exercem cargos de liderança. Agradecemos por Clara de Assis, por Tereza de Ávila, por Irmã Dulce, por Tereza de Calcutá e por todas as mulheres santas, mártires ou doutoras da Igreja. Enfim, junto aos demais filhos deste mundo, agradeço à minha mãe e às minhas irmãs pelo carinho e pelo legado de afeto e de amor que também marcaram minha vocação, meu ministério e meu serviço ao povo.
No diálogo e esforço de compreensão, na revisão dos erros e propósito para superá-los e na gratidão... é essa a homenagem que desejo prestar a todas as mulheres. Rendo graças por todas e cada uma das mulheres “tal como saíram do coração de Deus, com toda a beleza e riqueza de sua feminilidade; tal como foram abraçadas por seu amor eterno; tal como, juntamente com o homem, são peregrinas sobre a terra, que é, no tempo, a ‘pátria’ dos homens e se transforma, às vezes, num ‘vale de lágrimas’; tal como assumem, juntamente com o homem, uma comum responsabilidade pela sorte da humanidade, segundo as necessidades cotidianas e segundo os destinos definitivos que a família humana tem no próprio Deus, no seio da inefável Trindade” (João Paulo II, Mulieris Dignitatem, 31). Maria, a mãe de Jesus Cristo, exemplo de mulher, abençoe a todas as mulheres.

+ Dom Washington Cruz, arcebispo de Goiânia - (http://www.arquidiocesedegoiania.org.br)

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