quinta-feira, 14 de junho de 2012

CONFISSÃO NO ELEVADOR

Foi confissão sem arrependimento. Do andar 32, descíamos, dois anciãos setentões. Havia uma convenção no mesmo hotel. Entraram no 28 quatro moças de não mais de 25 anos. Gárrulas, festivas, risonhas entraram e saíram falando de suas aventuras. Não se importaram em confessar seus pecados diante de nós dois sacerdotes, eu de crucifixo no peito e meu colega de colarinho sacerdotal. Assim mesmo, ouvimos a confissão de uma delas, aprovada pelo riso de todas: dormira com um lindo rapaz e fora uma sensação maravilhosa. Só pedia que seu namorado nunca soubesse da escapada. Foi confissão diante das colegas e de nós sacerdotes. Não valeu nem valeria como confissão, porque ela não estava arrependida. Gabava-se de haver dormido com o  .........
cara mais lindo da convenção. Mas ela namorava um outro. No mundo desbragado em que vivemos, pecar e propagar que não é santa, faz parte da vida de algumas jovens, cuja profissão possibilita encontros desse tipo: efêmeros, passageiros, mas que entram como história de vida para nunca jamais contar às filhas que terão. Gostaria de dizer que é coisa de jovens, mas não é, porque, com frequência também ouvimos executivos adultos e até idosos confessar suas façanhas. Não há quem não tenha pecados, e não há quem não erre alguma vez. Mas uma coisa é errar e arrepender-se e outra é gabar-se para ganhar pontos entre os amigos. As palavras honra, santidade, fidelidade perderam seu significado numa sociedade imediatista. Vive-se do agora, da oportunidade e do prazer do dia ou da noite. Depois é depois. Milhares de pessoas erram diariamente. Milhares se arrependem. Mas há um pequeno grupo que, além de não se arrepender se gaba do sexo desviado, do dinheiro desviado e da propina que lhe deu milhões de lucro. São sintomas de uma sociedade que se disse, mas nunca foi cristã de verdade. Jesus foi seguido com seriedade por poucos. Os demais ostentam o nome, mas não as atitudes. Uma das moças que se riam dos chifres do namorado da colega carregava uma medalhinha com uma frase bíblica a dizer que Jesus salva. Podia ser católica, evangélica, ou nem uma nem outra coisa. Não deu para não analisar. A colega confessou publicamente e foi aplaudida. É a sociedade que nos cerca. Pessoas trocam o confessionário por divãs, elevadores e programas de televisão. Mas não se arrependem: apenas confessam.Pe. Zezinho scj

Fonte: http://www.padrezezinhoscj.com

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