terça-feira, 19 de junho de 2012

HIPOCRISIA

 
I. A Palavra e Suas Definições


Essa palavra vem do verbo grego que significa «replicar». O substantivo era usado para indicar «aquele que replica» e no uso e desenvolvimento desse vocábulo, veio a assumir o significado de ator, partindo da ideia de que os atores replicam uns aos outros. Finalmente, o termo passou a significar «ator» quanto a coisas sérias, até adquirir o sentido moderno de «hipócrita». Essa palavra é usada por vinte vezes no Novo Testamento (sempre nos evangelhos sinópticos), sempre em mau sentido. Lucas usou a forma verbal por uma vez (Lc 20:20), com o sentido de «fingir». As autoridades religiosas   ...........
profanavam a prática religiosa, transmutando-a em uma peça de teatro, chegando ao cúmulo de atrair as multidões, que aplaudiam o espetáculo que davam. E a recompensa delas era o aplauso que recebiam. No Antigo Testamento encontramos o termo hebraico hanep, que significa «poluído», «ímpio». A raiz dessa palavra, hnp, indica aquilo que é antagônico ao que é sagrado. Em algumas ocorrências dessa palavra, a Septuaginta traduz por hipócrita (como em Jó 34:20; 36:13), mas essa é apenas uma das traduções possíveis, não sendo o seu uso básico. Em Isaías 32:6, segundo a nossa versão portuguesa, o vocábulo hebraico khoneph é traduzido por «usar de impiedade». A raiz hebraica, acima mencionada, aparece em trechos como Jó 13:16; 15:34; 17:8; 20:5; 27:8; 34:30; 36:13; Pv 11:9 e Is 9:17. A ideia básica é a de alguém que usa de duplicidade, mostrando-se assim ímpio e insincero, culpado de levar uma vida fingida, hipócrita.

A hipocrisia consiste em fingir alguém ser aquilo que ele não é, como se estivesse representando ser melhor do que, na realidade, é. Essa é a base do falso orgulho. Alguém gostaria de ser algo significativo. Não sendo isso, o indivíduo apresenta ao público uma fachada de bondade que é falsa ou exagerada. Os sinônimos são a dissimulação, o farisaísmo, o fingimento e a falsa pretensão. O ludibrio sempre faz parte da vida ou dos atos hipócritas.


«A hipocrisia é o ato de simular qualidades de personalidade, de caráter moral e de convicções religiosas ou outras crenças que, na verdade, não estão presentes no indivíduo, o qual assume uma aparência falsa. Se o termo hipocrisia é aplicado, no uso comum, à dissimulação deliberada ou à insinceridade intencional, não deveria ser limitada somente à ideia de um ludibrio consciente. Pois esse termo pode também aludir de modo coerente, embora nem sempre bem aceito, às distorções inconscientes de algum ideal professado, às discrepâncias ou incoerências não reconhecidas que prevalecem entre aquilo que os homens dizem defender, na teoria, e a qualidade de personalidade que eles demonstram na prática diária». (E)



II. Referências e Ideias Bíblicas


Oferecemos  uma completa  revisão  sobre as referências veterotestamentárias e seu uso, na seção I. No Novo Testamento, o termo grego upókrisis, «hipocrisia», aparece somente por sete vezes: Mt 23:28; Mc 12:15; Lc 12:1; Gl 2:13; I Tm 4:2; Tg 5:12; I Pe 2:1. O adjetivo upokritês, «hipócrita», figura por vinte vezes: Mt 6:2,5,16; 7:5; 15:7; 16:3; 22:18; 23:13-15,23,25,27,29; 24:51; Mc 7:6; Lc 6:42; 11:44; 12:56; e 13:15. Todos esses usos ocorrem nos evangelhos sinópticos, envolvendo, essencialmente, a denúncia de Jesus contra os líderes religiosos cuja espiritualidade não correspondia à ostentação deles em público.


Ideias Bíblicas:


Deus reconhece e detecta os hipócritas (Is 29:15,16); Cristo reconhecia-os e detectava-os (Mt 22:18); Deus não encontra prazer algum na hipocrisia (Is 9:17); um hipócrita não pode apresentar-se diante de Deus, esperando o seu favor (Jó 13:16); os hipócritas são cegos por sua própria vontade (Mt 23:17,19); os hipócritas são justos aos seus próprios olhos (Lc 18:11); e também apreciam a ostentação (Mt 6:2,5); e, além disso, são censuradores, condenando ao próximo (Mt 7:3-5; Lc 13:14,15); promovendo as tradições humanas, em vez da verdade divina (Mt 15:1-3); e requerem muitas práticas religiosas triviais, às quais emprestam um exagerado valor (Mt 23:23,24). Além disso, se exibem uma forma externa de piedade, não possuem a verdadeira espiritualidade (II Tm 3:5); professam a fé religiosa, mas não a praticam (Ez 33:31,32: Mt 23:3; Rm 2:17-23); falam sobre coisas grandiosas, mas seus atos não correspondem àquilo que dizem (Is 29:13; Mt 15:8). "Gloriam-se nas meras aparências (II Co 5:12); insistem em ter privilégios especiais (Jr 7:4; Mt 3:9). Outrossim, oprimem aos incapazes (Mt 23:14); apreciam ocupar lugares proeminentes (Mt 23:6,7); a adoração deles não é aceita por Deus (Is 1:11-15); procuram destruir outras pessoas com as suas calúnias (Pv 11:9). A hipocrisia está ligada à apostasia (I Tm 4:2); impede o crescimento na graça divina (I Pe 2:1). Há um «ai» pronunciado contra os líderes religiosos hipócritas (Mt 23:12); o castigo divino aguarda por esses (Js 25:34; Is 10:6; Mt 24:51).
III. Exemplos Bíblicos de Hipocrisia



Caim (Gn 4:3); Absalão (II Sm 15:7,8): os judeus, em tempos de desvio e apostasia (Jr 3:10); os fariseus (Mt 16:3); Judas Iscariotes (Mt 26:49); os herodianos (Mc 12:13,15); Ananias (At 5:1-8); Simão (At 8:13-23); até mesmo Pedro e Barnabé caíram em pecado de hipocrisia, no tocante ao tratamento que deveria ser dado aos crentes gentílicos, no começo da dispensação do evangelho, conforme nos informa Paulo, em Gl 2:13.



IV. Um Emprego Filosófico Útil


Os filósofos existenciais fornecem-nos um certo discernimento sobre a questão da hipocrisia. Eles se referem à hipocrisia com o nome de existência não autêntica. Quando alguém se amolda à opinião e às expectações públicas, em vez de seguir os ditames de sua própria consciência, então está levando uma existência não autêntica. A busca pela autenticidade é uma das principais preocupações do homem verdadeiramente justo. A Bíblia insiste em que devemos ser autênticos em nossas palavras e em nossas ações.
V. Todos os Religiosos são Hipócritas



É fácil chamarmos outras pessoas de hipócritas; e é ainda mais fácil sermos tão arrogantes que nos consideramos autênticos, enquanto todas as outras pessoas seriam destituídas de autenticidade. A verdade é que todas as pessoas religiosas, incluindo até mesmo as sinceras, e até mesmo aqueles que buscam diligentemente pela autenticidade, em certo grau, são hipócritas. Isso é verdade porque o ideal está sempre acima de nossa capacidade de realização. Além disso, a nossa tendência é tentar apresentar diante dos outros a ideia de que temos atingido melhor os ideais de sinceridade e autenticidade do que na realidade o fizemos. E não somente isso, mas também conseguimos enganar a nós mesmos, pensando que somos melhores do que, na realidade, o somos. Portanto, não somente somos hipócritas diante de nossos semelhantes, mas até mesmo diante de nós. Todavia, isso não anula qualquer genuína espiritualidade. Devemos continuar subindo na direção do ideal. A hipocrisia tem muitos níveis. Parte da inquirição espiritual consiste em ir eliminando a hipocrisia, juntamente com muitos outros defeitos de caráter, debilidades e vícios. A humildade é uma virtude, e nos ajuda a anular a hipocrisia.

I.           A Palavra e Suas Definições
II.          Referências e Ideias Bíblicas
III.         Exemplos Bíblicos de Hipocrisia
IV.        Um Emprego Filosófico Útil
V.         Todos os Religiosos são Hipócritas




Bibliografia J. M. Bentes


Fonte:http://www.ebdareiabranca.com
Fonte imagem:http://prosaserisos.blogspot.com.br

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