segunda-feira, 18 de junho de 2012

Deus ama o homem e permanece com ele

A Teologia como reflexão e experiência vital de Deus, ilumina e redireciona a vida do homem e da sociedade para o conhecimento da Verdade, que é Cristo, e para a vivência dos Valores Absolutos. O ponto de partida é o acontecimento da Revelação (a vida de Cristo que assume a natureza humana e toma para si o abismo da miséria do homem, o seu pecado) e a sua centralidade é o Mistério Pascal. Cristo veio libertar e salvar o homem do pecado que o escraviza e compromete a felicidade, as relações, a salvação, a vida eterna. Cristo veio “tornar o homem uma nova criatura” (2 Cor 5,17). O Deus de Jesus Cristo é um Deus próximo, trinitário e encarnado, que morreu de fato, mas ressuscitou e venceu a morte. Portanto, tudo o que diz respeito ao homem diz respeito a Cristo que veio fazer unicamente a vontade do Pai. Não é possível admitir  .....
formas e ideologias de morte em que atenta contra a vida humana sem que comprometa todo o projeto de felicidade que pensou Deus para cada homem. Projeto esse que já traz sua gênese na Lei Natural, inscrita no coração do homem. Frente aos desafios contemporâneos, principalmente ao que diz respeito às Ciências da Vida (Genética), apoiada pela “Biotecnologia”, com suas gamas de questões éticas e morais, vemos o caráter profético da Teologia – como “Fé da Igreja” – agir e entrar na defesa da “inviolabilidade da Vida” (”sacralidade” da vida humana desde a sua concepção até o seu definhar natural). Isso deve ser para cada um de nós batizado, motivo de reflexão, compreensão vivencial e comunicação da fé, ou seja, anúncio da Verdade Absoluta que é Cristo. Muito mais deve ser uma reflexão para todos os que estudam a fé e são inseridos nos mistérios (mistagogia) de Cristo, quer seja apreendendo o seu significado teórico, quer seja o inevitável viver desses mistérios. Temos que ser testemunhas do Ressuscitado que passou pela cruz!
Certamente era assim que acontecia na Igreja nascente, daí o testemunho que presta as “Atas dos Mártires” e o testemunho dos “Padres da Igreja” com o caráter “apologético da Fé” (Defesa da Fé). Como ensina o concílio Vaticano II: “A Igreja é perita em humanidade” (cf. Paulo VI, discurso na ONU – 1965), portanto, ela pode – através da sua Comunhão com Deus, manifestada por meio das Sagradas Escrituras, da vida Sacramental e da Tradição – oferecer ao homem de hoje e aos de sempre, respostas às suas dramáticas questões éticas e morais, sobretudo, conduzir o homem a descobrir as suas respostas fundamentais e fazer a experiência de que sua vida transcende o transitório. Inconfundivelmente a vida de quem crer e de quem aproxima sua vida cada dia para um conformar-se com a de Cristo, não pode acreditar que sua vida terminará numa fria sepultura. “Caminhamos entre as coisas que passam e abraçamos as que não passam”, reza a liturgia do Advento. Somos cidadãos do céu, mas hoje temos uma missão aqui!
A Teologia precisa estar a serviço da vida e ser um auxílio indispensável ao Povo de Deus que precisa cada dia mais de orientações de como pensar e dar resposta aos dramas do cotidiano, à luz de uma reta consciência e de valores que sublimem as ações e as decisões pessoais e coletivas. Acima de tudo, o povo tem necessidade da coerência de vida dos que se dizem conhecedores da riqueza da doutrina teológica. Pede-se cada vez mais a manifestação de todos os acadêmicos, de forma especial, do corpo docente dos teólogos, principalmente no Brasil, para que se disponibilizem para o serviço da fé e da formação das consciências, por sua vez, desvirtuadas em conseqüência de tantas sombras de doutrinas e ideologias. A Igreja sabe conduzir o homem até Cristo, que enche de sentido este homem e o faz descobrir a sua originária vocação que é amar, deixar-se conduzir pelo amor de Deus e acolher livremente a salvação.

Já dizia o grande filósofo e teólogo da antiguidade, Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração não é feliz enquanto não repousa em Ti” (Confissões I, 1,1). Esteja a Teologia a serviço da vida, em todas as circunstâncias. Esteja a teologia consciente de outra vez dizer ao homem de hoje que ele foi criado para Deus, que somente o Seu amor traz a verdadeira Segurança e Paz. Não tenhamos medo! Muitos parecem temer falar, escrever, refletir, formar consciências, esclarecer, colaborar em sanar tantas confusões na cabeça das pessoas. Pede-se uma reação sadia e profética da Teologia Católica. Precisamos da coragem para dialogar com o mundo, a sociedade, as ideologias, o mercado, a ciência, as culturas, as religiões e as formas mais diversas de se pensar e julgar os valores do homem hodierno.
A vida do homem é um bem em si mesmo porque pertence ao ato criador de Deus. Valem todos os esforços para que a vida do homem não continue a ser destruída, banalizada e descartada, inclusive quando ainda esta vida se encontrar nos primeiros movimentos vitais, longe do nosso olhar científico e tantas vezes irracional. Que cada vida humana seja valorizada do início até o pleno uso da sua consciência e o definhar natural do seu viver. Que a reflexão sobre Deus nunca perca de vista a verdade de que Ele entrou na história da humanidade, veio viver como homem e assumiu – mesmo sendo sem pecado – as nossas mazelas e enfermidades, morreu e ressuscitou. Deus ama o homem e permanece com ele sempre, não obstante suas revoltas, sua indiferença e rejeição ao Seu amor. A vida do homem são as pupilas de Deus. “A glória de Deus é que o homem viva” (Santo Irineu de Lyon).Diante do mistério da vida não podemos deixar de nos maravilhar e, consequentemente, não podemos nos omitir quando esta vida for ameaçada.  
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Por: Antonio Marcos, Leigo, formado no Curso Superior de Filosofia (ITEP) e Bacharelando em Teologia pela Faculdade Católica de Fortaleza (FCF)
Fonte:http://www.comshalom.org

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