sábado, 2 de abril de 2011

Afinal, Adão e Eva existiram ou não? fala-nos Cardeal Ratzinger

Como um católico deveria ler o primeiro capítulo do Gênesis, que detalha os seis dias da criação? Em uma palestra intitulada “Restauração da Teologia Tradicional Católica sobre as origens”, proferida no Primeiro Simpósio Católico Internacional sobre Criação, realizado em Roma em 24-25 de outubro de 2002, Padre Victor Warkulwiz, MSS, um padre com doutorado em física, argumentou que a Igreja Católica precisa retornar a uma   ...........
teologia católica tradicional sobre as origens, uma teologia que é baseada no sentido literal e óbvio de Gênesis 1-11. Ele não está sozinho ao dizer isto. Nos últimos anos, os católicos de tendência mais tradicionalista começaram a abraçar um criacionismo especial – a crença de que Deus criou os diferentes tipos de seres vivos por decreto divino menos de 10.000 anos atrás – que, nos anos passados, estava associada mais com os protestantes fundamentalistas.

Católicos criacionistas frequentemente afirmam que os católicos que procuram ser fiéis à tradição católica precisam interpretar o relato da criação de seis dias de Gênesis, no seu sentido “literal e óbvio”, como a maioria dos Padres e Doutores da Igreja tinham feito. Assim, eles argumentam que o primeiro capítulo do Gênesis é uma narrativa histórica exata, uma descrição precisa, de um evento que teve lugar durante um período de seis dias, milhares de anos atrás. Para justificar esta abordagem, os criacionistas católicos citam o papa Leão XIII, que em Providentissimus Deus, sua encíclica de 1893 sobre o estudo da Sagrada Escritura, ensinou o seguinte:

A opinião dos Padres também tem peso muito grande quando se trata desses assuntos [a interpretação da Sagrada Escritura], na sua qualidade de doutores, de forma não oficial; não só porque distinguem-se em seu conhecimento da doutrina revelada e em sua familiaridade com muitas coisas que são úteis na compreensão dos Livros Apostólicos, mas porque são homens de eminente santidade e de zelo fervoroso pela verdade, a quem Deus concedeu uma medida mais ampla de Sua luz. Por isso, o expositor deve fazer seu dever seguir seus passos com toda a reverência, e usar seus trabalhos com a apreciação inteligente. Mas ele não deve, por esse motivo, considerar que é proibido, quando existe justa causa, fazer investigação e exposição para além do que os Padres têm feito; desde que ele observe com cuidado a regra tão sabiamente estabelecida por Santo Agostinho – não afastar-se do sentido literal e óbvio, salvo apenas quando a razão torna insustentável ou a necessidade requer; uma regra à qual é mais necessário aderir rigorosamente nestes tempos, quando a sede de novidade e irrestrita liberdade de pensamento faz o perigo de erro mais real e próximo.

Embora os católicos criacionistas admitam que Leão XIII permitiu os católicos a irem além do sentido literal e óbvio da Sagrada Escritura – o que os estudiosos bíblicos modernos chamariam de uma leitura literal do texto– eles respondem afirmando que os exegetas católicos contemporâneos não conseguiram demonstrar que a sua leitura não literal do Gênesis é justificada, quer pela razão ou por necessidade, conforme especificado por Leão XIII.

Neste ensaio eu respondo ao movimento criacionista católico argumentando que os exegetas contemporâneos têm motivos suficientes para ir além de uma leitura literal do texto de Gênesis.

Vou começar por resumir os três princípios hermenêuticos utilizados pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, agora o Santo Padre Bento XVI, em sua interpretação não literal do relato de seis dias de Gênesis, tradicionalmente chamado de Hexaemeron.

Vou então mostrar que seu método é fiel tanto ao ensinamento da Igreja Católica, mais recentemente articulado na Dei Verbum, a Constituição dogmática sobre a Revelação Divina do Concílio Vaticano II, quanto ao ensino de seu predecessor, Leão XIII, em Providentissimus Deus.

Assim, proponho a abordagem do Cardeal Ratzinger para leitura de Gênesis como um exemplo particularmente notável do método hermenêutico aprovado pelo Concílio Vaticano II, e que deve ser paradigmático para os exegetas católicos contemporâneos que procuram ser fieis à tradição católica.
Primeiro princípio: A distinção entre forma e conteúdo

Durante a Quaresma de 1981, o então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje o Santo Padre, papa Bento XVI, proferiu quatro homilias sobre a criação no Liebfrauenkirche, a catedral de Munique, na Alemanha.

Na sua primeira homilia, intitulada “Deus, o Criador”, Ele aborda os princípios que regem a sua leitura do Gênesis. Ele começa por recordar as palavras de abertura das Sagradas Escrituras que destacam a ação criadora de Deus “no começo”. No entanto, ele vai além e faz a pergunta que está no cerne do debate criacionista: São estas palavras verdadeiras? Será que elas têm algum valor? Para responder a estas questões, ele sugere três critérios para a interpretação do texto de Gênesis: a distinção entre forma e conteúdo, na narrativa da criação, a unidade da Bíblia, bem como a importância hermenêutica da Cristologia.

Primeiro, ele propõe que o exegeta “deve distinguir entre a forma de descrever e ao conteúdo que é descrito.”Ele deve ter em mente que a Bíblia é, em primeiro lugar e acima de tudo, um livro religioso e não um livro de ciências naturais. Assim, o Cardeal Ratzinger conclui que Gênesis não é e não pode fornecer uma explicação científica de como o mundo surgiu. Pelo contrário, é um livro que procura descrever as coisas de tal forma que o leitor é capaz de compreender profundamente as realidades religiosas. Ele usa imagens para comunicar a verdade religiosa, imagens que foram escolhidas a partir do que era compreensível no tempo em que o texto foi escrito, “as imagens que cercavam o povo que vivia na época, que eles usavam na fala e no pensamento, e graças às quais puderam compreender a realidade maior” .

Em outras palavras, o exegeta católico é chamado a respeitar o texto como está. Ele é chamado a ler Gênesis como o seu autor humano queria que fosse lido, não como um tratado científico, mas como uma narrativa religiosa que comunica verdades profundas sobre o Criador.

O primeiro critério do Cardeal Ratzinger para exegese ecoa o ensinamento do Concílio Vaticano II. Na Dei Verbum, a Constituição Dogmática sobre a Revelação, os Padres do Concílio ensinaram que, “para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem ser tidos também em conta, entre outras coisas, os ‘gêneros literários’. Com efeito, a verdade é proposta e expressa de modos diversos, segundo se trata de géneros histéricos, proféticos, poéticos ou outros. Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de facto exprimiu servindo se os géneros literários então usados”

Além disso, embora o cardeal Ratzinger não forneça uma justificação teológica para este critério, o Concílio Vaticano II o fez. Segundo o Concílio, temos de respeitar a forma do texto porque “Deus na Sagrada Escritura falou por meio dos homens e à maneira humana”. Assim, o exegeta “para saber o que Ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e que aprouve a Deus manifestar por meio das suas palavras.”Em outras palavras, o exegeta católico deve respeitar a forma das Sagradas Escrituras porque, ao fazê-lo, ele respeita a ação de Deus que foi o autor do texto sagrado sem violar a liberdade, identidade e idiossincrasias dos autores humanos que escreveram em diferentes formas.
Segundo princípio: A unidade da Bíblia Sagrada

O primeiro critério do Cardeal Ratzinger levanta uma importante questão: Mas como é que se compreende a forma particular do texto sagrado? Por exemplo, como nós sabemos que o autor humano do relato da criação de seis dias não quis escrever uma narrativa histórica ou um tratado científico bona fide? Ele certamente poderia ter desejado isto. Na homilia da Quaresma de 1981, o Cardeal Ratzinger traz a mesma questão, perguntando: “é a distinção entre a imagem e o que se destina a ser expressado apenas uma fraude, porque não podemos mais contar com o texto, apesar de ainda querermos fazer alguma coisa dele, ou existem critérios a partir da própria Bíblia que atestam a esta distinção?”Em resposta, ele propõe um segundo critério de boa exegese católica – o exegeta deve interpretar um texto de dentro do contexto da unidade da Bíblia. Aplicando este critério para a interpretação do relato de seis dias da criação, descobrimos que os relatos da criação no Antigo Testamento – oHexaemeron é apenas um dos vários encontrados em Gênesis e Salmos – são claramente “movimento[s] para esclarecer a fé” e não são narrativas históricas ou científicas.

Por exemplo, o cardeal Ratzinger observa que um estudo das origens dos textos descriação na literatura sapiensal revelam especialmente que eles foram escritos para responder à civilização helenística confrontada pelo israelitas.

Hexaemeron, o relato da criação em seis dias, encontrado no primeiro capítulo de Gênesis revela que ele foi escrito para responder à civilização babilônica aparentemente vitoriosa confrontada pelos israelitas vários séculos antes de seu encontro com os gregos. Aqui, o autor humano do texto sagrado usou imagens familiares aos seus contemporâneos pagãos para refutar o Enuma Elish, o relato babilônico da criação que alegou que o mundo foi criado quando Marduk, o deus da luz, matou o dragão primordial.

Assim, como o Cardeal Ratzinger sublinha, não é surpreendente que quase todas as palavras do primeiro relato da criação abordem uma confusão particular da época da Babilônia. Por exemplo, quando as Sagradas Escrituras afirmam que, no início, a terra era sem forma e vazia (cf. Gn 1:2), o texto sagrado refuta a existência de um dragão primordial. Quando elas se referem ao Sol e a Lua como lâmpadas que Deus pendurou no céu para a medição do tempo (cf. Gn 1:14), o texto refuta a divindade desses dois grandes corpos celestes, acreditados como deuses da Babilônia. Estes versos, e eles são apenas dois dos muitos exemplos, ilustram a intenção do autor humano doHexaemeron.

Ele queria desmontar um mito pagão que era comum na Babilônia e afirmar a supremacia de um Deus Criador. O cardeal Ratzinger conclui: Assim, não é surpreendente que os autores humanos destes relatos não utilizam a imagem dos seis dias para fazer valer a sua fé em um Deus Criador. Esta imagem não teria sido adequada para o seu tempo e não teria sido entendida por seus contemporâneos gregos.

Assim, podemos ver como a própria Bíblia constantemente readapta suas imagens para um modo de constante desenvolvimento do pensamento, como muda sempre, e outra vez, a fim de dar testemunho, a única coisa que veio a ele, na verdade, da Palavra de Deus, que é a mensagem de seu ato de criar. Na própria Bíblia as imagens são livres e corrigem-se continuamente. Desta forma, elas mostram, por meio de um processo gradual e interativo, que elas são apenas imagens, que revelam algo mais profundo e maior.

Em suma, um estudo comparativo de diferentes relados da criação espalhados por toda a Sagrada Escritura revela que eles não eram e não são narrativas históricas ou científicas. Eram argumentos teológicos que usaram imagens diferentes para comunicar a mesma verdade – a verdade sobre o Criador e sua criação.

Novamente, o segundo critério do cardeal Ratzinger não é uma invenção nova. Ele ecoa os ensinamentos do Concílio Vaticano II, que ensinou: “a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita, não menos atenção se deve dar, na investigação do reto sentido dos textos sagrados, ao contexto e à unidade de toda a Escritura”.
Terceiro princípio: Cristo como a chave interpretativa da Bíblia Sagrada

Finalmente, o segundo critério levanta outra questão importante: Por que as Sagradas Escrituras devem ser tratadas como uma unidade? Qual é a fonte desta unidade? Em resposta, o Cardeal Ratzinger fornece seu terceiro e último critério para a interpretação do texto sagrado: devemos ler as Sagradas Escrituras “com Ele em quem todas as coisas foram cumpridas e em quem toda a sua validade e verdade são reveladas.” É Cristo que unifica a Bíblia.

A Bíblia inteira é sobre ele. Assim, o Gênesis tem de ser lido no contexto de sua realização em Cristo. Portanto, o Santo Padre afirma que o primeiro relato da criação não pode ser lido sem referência ao relato conclusivo e normativo bíblica da criação que começa assim: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito.”(João 1:1,3 – Bíblia de Jerusalém).

Para o cardeal Ratzinger, é Cristo que sanciona as leituras do texto sagrado que se movem para além de uma leitura literal estrito, pois é Cristo que deseja comunicar profundas verdades teológicas que penetram no coração e na alma humana: “Cristo nos liberta da escravidão da letra, e precisamente assim é que ele dá de volta para nós, a renovação, a veracidade das imagens”.

Mais uma vez, o terceiro critério do Santo Padre pode ser encontrado nos documentos do Concílio Vaticano II: “Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs tão sabiamente as coisas, que o Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo está patente no Novo. Pois, apesar de Cristo ter alicerçado à nova Aliança no seu sangue, os livros do Antigo Testamento, ao serem integralmente assumidos na pregação evangélica adquirem e manifestam a sua plena significação no Novo Testamento, que por sua vez iluminam e explicam.”

O Catecismo da Igreja Católica explica: “Por mais diferentes que sejam os livros que a compõem, a Escritura é uma em razão da unidade do projeto de Deus, do qual Cristo Jesus é o centro e o coração, aberto depois da sua Páscoa” (n. 112). Toda a Sagrada Escritura deve ser interpretada à luz de Cristo.

Em suma, o Hexaemeron é verdade. No entanto, é verdade não porque comunica a verdade histórica ou científica, mas porque ele comunica verdade teológica, a verdade de que o mundo foi criado por um Deus que é amor. Ler Gênesis com os três princípios hermenêuticos do cardeal Ratzinger justifica esta afirmação e apresenta os motivos para ir além de uma leitura literal do texto sagrado. É uma leitura da Sagrada Escritura, que é fiel tanto à fé e à razão.

Finalmente, como reconciliamos a interpretação do Cardeal Ratzinger do relato de seis dias de criação com o ensinamento de Leão XIII discutido acima? Lembre-se que em Providentissimus Deus, Leão XIII ensinou que os exegetas católicos “não devem a afastar-se do sentido literal e óbvio, com exceção apenas onde a razão torna insustentável ou a necessidade exige.” Criacionistas católicos têm argumentado que este critério não foi satisfeito – as ciências naturais não apresentaram razões para ir além do sentido literal e óbvio do Hexaemeron.

Eles argumentam que uma leitura literal do relato da criação de seis dias só deve ser abandonada quando a ciência refutar definitivamente a narrativa explicitamente descrita no Hexaemeron. Seu argumento, no entanto, deixa de reconhecer que o papa Leão XIII não limitou a sua declaração de fundamentação científica. Um exegeta católico tem de interpretar o texto sagrado de forma a coincidirem, não só com verdades descobertas pelas ciências naturais, mas também com as verdades descobertas por outros campos da investigação humana genuína.

Em outras palavras, a interpretação do texto sagrado é uma obra de tanto da fé e da razão. Como o cardeal Ratzinger convincentemente argumentou, no caso do Hexaemeron, temos que abandonar uma leitura que se limita ao sentido literal, porque os estudos de textos antigos e culturas antigas – e não a ciência natural – deram-nos boas razões e necessidade para fazê-lo.

Prender-se a uma leitura literal do Gênesis seria fazer violência ao sentido original do autor humano e, assim, a verdade que Deus quis manifestar através de suas palavras. Como enfatizou o Concílio Vaticano II, como Deus, também nós somos chamados a respeitar o autor humano. Desde que ele não escreveu um tratado científico ou histórico, na Hexaemeron, não devemos lê-lo como um.


– Victor P. Warkulwiz, M.S.S., “Restoration of Traditional Catholic Theology on Origins,” in Proceedings of the International Catholic Symposium on Creation, October 24-25, 2002. (Woodstock, VA: Kolbe Center for the Study of Creation, 2003), 17-35, p. 17
– Dermott J. Mullen, “Fundamentalists Inside the Catholic Church: A Growing Phenomenon,” New Oxford Review 70 (2003): 31-41. Para uma resposta ao artigo de Mullen de católicos que se consideram criacionistas, veja Hugh Owen e Robert Bennett, “Are Catholic Defenders of Special Creation ‘Fundamentalists’?” at
www.kolbecenter.org/nor.response.htm. Último acesso em 04/01/2010.
– Pope Leo XIII, Encyclical letter, Providentissimus Deus, November 18, 1893, nos. 14-15. Traduções do websitehttp://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_18111893_providentissimus-deus_en.html . Último acesso em 04/01/2010.
– Pontifical Biblical Commission, The Interpretation of the Bible in the Church, March 14, 1994, Section F: Fundamentalist Interpretation.
– Joseph Ratzinger, ‘In the Beginning…’: A Catholic Understanding of the Story of Creation and the Fall, Trans. Boniface Ramsey, O.P. (Grand Rapids: William. B. Eerdmans Publishing Co., 1995).
– Ibid., pp. 4-5.
– Ibid., p. 5.
– Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina., nº12.
Nota do Tradutor. Usei a versão online da Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina.http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html
Último acesso em 04/01/2010.
– Ibid.
– Ibid.
– Ratzinger, In the Beginning, p. 8.
– Ibid., p. 14.
– Ibid., pp. 14-15.
– Para um ensaio interessante sobre a relação entre o HexaemaronEnuma Elish, e a escrito para uma audiência popular, veja Victor Hurowitz, “The Genesis of Genesis: Is the Creation Story Babylonian?” Bible Review 21 (2005): 37-48; 52-53.
– Ratzinger, In the Beginning, p. 15.
– Dei verbum, no. 12.
– Ratzinger, In the Beginning, p. 16.
– Ibid., p. 16.
– Dei verbum, no. 16.
 Por: http://www.catolicaco.com

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